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Dogthoot vence o Estoril Filme Festival
Não tive lá muita sorte, que não tive possibilidade de a ir mais do que três dias de festival. Antes o pouco e bom que tive do que nada. Aqui fica o trailer do filme vencedor: Dogthoot.

Para o ano há mais!
As Ante-Estreias do Estoril Film Festival (8)


Antichrist de Lars von Trier (13/11)
Eu, no Estoril Film Festival (8 de Novembro)

Um dia para não esquecer!

Cheio de ansiedade por ver Francis Ford Coppola na mesma sala de cinema que eu, este seria o dia alto de todo o festival. Lá parti para o Estoril com os nervos à flor da pele. Cheguei bem a tempo de ver o Moon. Arranjei um bom lugar, na fila do júri do festival, algumas cadeiras à minha direita lá estava o David Byrne. Moon foi e não foi o que eu pensava. Estava à espera de um bom filme (e assim foi), mas não pensei que tivesse aquela abordagem. A história de um homem sozinho numa estação espacial na Lua durante três anos, cujo único contacto era com um computador, dava pano para mangas para um drama psicológico. Assim foi, mas não tão tão directo como eu esperava. Cheguei a ficar confuso e a torcer o nariz ao caminho que o filme estava a levar, mas lá para o fim fiquei convencido com aquele enredo futurista-negro. Sam Rockwell contracena com ele próprio e com a voz de Kevin Spacey (o computador de serviço da estação espacial). Entre a ficção científica e o suspense, Moon tem uma boa performance que vale a pena ir assistir ao cinema.
Depois deste título de ficção científica, esperava-me o drama familiar de Coppola, Tetro. Não me afastei muito do auditório e fui logo dos primeiros a entrar, garantido assim um bom lugar (na coxia, para mais facilmente tentar garantir o tão desejado autógrafo). A multidão foi preenchendo o auditório, ficando assim as 600 pessoas à espera de Francis Ford Coppola: a estrela da noite (da semana, do mês, sei lá). Entre essa vaga de espectadores, os fotógrafos preferiram o tão famoso ex-ministro da economia, Manuel Pinho. Depois da sala composta, deu entrada Coppola que subiu ao palco sob a audiência que aplaudia em pé a entrada do cineasta. Muito bem disposto, fez uma pequena introdução ao filme e escapuliu-se para fora da sala (estava à espera que também fosse assistir connsco). Bem, quanto ao filme, só digo que é um dos melhores filmes de Coppola e, sem dúvida, o mais pessoal. Não é a minha opinião, foi o próprio realizador que na conversa com o público, que durou cerca de uma hora, fez questão de sublinhar a importância de o filme ter sido pago por ele. Deu-lhe toda a liberdade criativa para fazer o filme que queria, como queria, com quem queria.
A história do drama familiar de dois irmãos que se reencontram após anos de ausência, está soberbamente construída. Desde a relação entre os dois, às personagens secundárias (todas elas cheias de uma personalidade própria e deveras importantes para todo o conflito da família Tetrocini). Desde o re-encontro ao desenvolvimento final, a evolução da relação dos dois irmãos e a revelação dos problemas familiares que sofrem tem um ritmo próprio, com acontecimentos dramáticos e cómicos que deixam o espectador confortável, já quase nem se apercebendo que o filme é a preto e branco (depois de ver o filme, penso que não o iria querer ver a cores).
Bem, depois do filme, Coppola voltou a subir ao palco do auditório, novamente com uma multidão a aplaudir com vigor, desta vez acompanhado por Paulo Branco e dois elementos da sua equipa técnica. As pessoas que não tinham bilhete para o filme entraram na sala para ouvir o realizador, preenchendo os corredores da sala. Com centenas a ouvi-lo, Coppola foi respondendo às perguntas dos portugueses que tanto queriam conhecer melhor o mestre por detrás de The Godfather (e eu fui um dos que falou para ele!!!!). Com uma postura descontraída, Coppola conduziu muito bem a conversa com o público que ouvia maravilhado (pelo menos eu estava). Não vou aqui mencionar tudo o que lhe perguntaram e que ele respondeu, mas entre perguntas sobre Tetro, a oferta de uma garrafa de Vinho do Porto, e outros filmes do realizador, não podia deixar de ser mencionado The Godfather. Coppola soube brincar com o filme que o persegue e que o lançou como um dos maiores cineastas do seu tempo. Ao ver alguns fãs a acenar com os DVD's de The Godfather, desabafou entoando o tema musical do seu filme que mais sucesso teve: "At least I don't have to hear Tarataranana...". À saída, muitos esperavam o seu autógrafo. Não assinou mais do que a três ou quatro pessoas e saiu. A melhor: eu fui um dos três ou quatro. Agora tenho em casa a capa do DVD do The Godfather autografada pelo próprio Coppola. O meu dia não podia ter corrido melhor!!!!!!!!!!!
Eu, no Estoril Film Festival (7 de Novembro)

A prova de que os filmes portugueses não são ou chatos, ou com seios à mostra.

Cheguei um pouco antes do tempo e deparei-me logo no lobby de entrada com não sei quantos "morangos". Para além destes, que não interessam nada, fiquei surpreso ao ver Miguel Guilherme (o António Lopes de Conta-me Como Foi). Um grande senhor, tenho pena de não ter lá papel e caneta para lhe pedir um autógrafo. Vagueei por lá e, pouco depois, lá entrei para o auditório no Centro de Congressos. Encontrei um bom lugar ao centro, na parte de trás. Dava para ver tudo. Entraram mais uns tantos actores conhecidos da televisão, entre eles, Rogério Samora (lembrei-me logo do Scar d'O Rei Leão). A sala compôs-se, quase cheia, e depois o realizador, Fernando Lopes, entrou ao som de uma salva de palmas e apresentou o filme. De seguida, começou Os Sorrisos Do Destino.
Com Ana Padrão e Rui Morrison a darem toda a personalidade e força que os seus personagens pediam, o filme dá conta de, pelas palavras do próprio realizador, infidelidades electrónicas e amores virtuais. Este grito de revolta contra as tecnologias de comunicação que têm afastado as pessoas foi a clara mensagem que Fernando Lopes fez passar, que, com muita emoção, fez questão de sublinhar perante toda a plateia. Era claro o seu gosto em estar frente a frente com o seu público e olha-lo de olhos nos olhos. Os actores do filme produzido por Paulo Branco juntaram-se ao realizador para a conversa com o público. Após duas perguntas de estudantes de cinema que me deixaram a rir por dentro e a bocejar por fora ("Qual é o segredo para fazer uma obra prima como esta?" "Que conselhos dá a jovens realizadores...."), decidi ir embora e tentar chegar a casa mais cedo. O dia seguinte, esse sim ia ser em grande...
As ante-estreias do Estoril Film Festival (7)


(500) Days Of Summer de Marc Webb (13/11)
Eu, no Estoril Film Festival (6 de Novembro)
Na minha primeira incursão num ambiente tão cinematográfico, que eu próprio me sentia pequenino, tive logo um dia em grande.

Sozinho, mas com toda a vontade, comecei por Décalage Horaire (Danièle Thompson, 2002), que faz parte da homenagem a Juliette Binoche. Com Jean Reno, o filme é um agradável romance, sobre duas pessoas muito diferentes que se conhecem num aeroporto. O filme ganha pela sua simplicidade, e pela sua "pequenez". Mas não vou aqui falar mais do filme. Muito já foi dito com certeza.
Após sair da sala de cinema do Casino Estoril (olha, um famoso: o Marco Horácio), fui para o Centro de Congressos. Já tendo o passe do festival, fui levantar os bilhetes para o documentário da noite e para as sessões a que fazia conta de ir no fim de semana: Os Sorrisos Do Destino, Tetro, (ups esqueci-me de comprar para o Moon). Eram cinco e pouco, ainda faltava uma hora para a sessão de autógrafos da Juliette Binoche. Fui ver as exposições.
Portraits In-Eyes, é um conjunto de pinturas, auto-retratos e frases poéticas que resultam de um trabalho de Juliette em que pintou os seus realizadores, escreveu para eles e retratou as suas personagens. O resultado é um trabalho fantástico que ilustra as dezenas de filmes da sua carreira. Um talento escondido da actriz francesa mais prestigiada internacionalmente.
De seguida, fui ver a exposição de David Cronenberg: Chromosomes. É um conjunto de painéis, feitos a partir de fotogramas dos diversos filmes do realizador. Fiquei absorvido pelo conjunto de 4 fotogramas que ilustram duas mãos a transmitirem um caderno uma a outra. Fantástico.
Ainda pouco passava das cinco e meia. Fui ao Espaço Fnac onde iria ser a sessão de autógrafos. Montaram um pequeno espaço com sofás, três televisões com The Godfather Part II, The Curious Case Of Benjamin Button, e um outro filme que não identifiquei. Várias prateleiras com DVD's, CD's e livros. Tudo, como não podia deixar de ser, baseado nas estrelas que o Festival iria receber. A multidão começava a juntar-se à mesa onde às 18h estaria Juliette Binoche. Já passavam das seis e nada. Ouvi uma mulher do Staff a comentar com Paulo Branco, que a maquilhadora de Juliette atrasara-se no trânsito. Já estava uma fila considerável. Decidi desistir do meu lugar nos primeiros vinte da fila e fui à rua. Estava frio. Dois carros estavam a bloquear o acesso ao Centro de Congressos. Paulo Branco estava enervado com a situação. Continuei lá fora. Já eram quase 19h quando o carro que trazia Juliette e a sua irmã chegou. Primeiro confundi as irmãs. São parecidas. Mas depois o carro deu meia volta e Juliette saiu. Ela é ainda mais bonita que nos filmes.
A multidão aplaudiu e os flashes começaram. Começaram os autógrafos. Fui para o final da fila. Tive boas pessoas à minha volta. Um casal simpático, duas senhoras com mais idade, e um senhor que era um bom apreciador de cinema. Sem saber, já me deu uma dica para uma próxima aquisição: Les Uns Et Les Outres (1981). Muito vagarosamente a fila avançou e Paulo Branco já ameaçava que nem todos poderiam ter autógrafo. As restrições aumentaram: "só dá um autógrafo por pessoa"; "já não há fotos"; "não demorem". A Mademoiselle Juliette já deveria estar farta de assinar coisas quando chegou a minha vez. Tanto pensava como me ia dirigir a ela, que na altura esqueci-me de lhe dar a minha caneta e acabou por assinar com a caneta de feltro que tinha à sua disposição. Lá ficou registado: "Pour (meu nome) With Love, Juliette Binoche".
Já passava da hora do documentário, e foi um apressar, porque a sua presença era essencial. Juliette Binoche Dans Les Yeux é um documentário de Marion Stalens (a irmã de Juliette), sobre a própria Juliette. O filme de 50 minutos fez-me conhecer a estrela de cinema como nunca a conhecera nos filmes ou entrevistas. Um olhar muito pessoal e intimista sobre a pessoa, actriz e artista, Juliette Binoche. A sua participação num espectáculo de dança, a que se entregou de corpo e alma. As suas pinturas que a deixam guardar um pouco de si, o que sobrou dos filmes, das personagens, das histórias. O que vai na sua cabeça. No final, a multidão que enchia o auditório explodiu num aplauso às duas irmãs. Seguiu-se a conversa com o público. Perguntas aqui e ali, umas mais interessantes que outras, agradecimentos pelo documentário, elogios, e Juliette sempre a responder com uma alma e uma força que conseguiu transmitir para as centenas de pessoas, com uma espontaneidade maravilhosa. Já se fazia tarde, tinha ainda que ir de comboio para Lisboa, mas fiquei até ao fim. Mais um aplauso estrondoso para as irmãs, e por aqui terminou este dia fantástico.
As ante-estreias do Estoril Film Festival (6)


The Girlfriend Experience de Steven Soderbergh - 12/11
As ante-estreias do Estoril Film Festival (5)


Bright Star de Jane Campion - 11/11
As ante-estreias do Estoril Film Festival (4)


Tetro de Francis Ford Coppola - 8/11
As ante-estreias do Estoril Film Festival (3)


The White Ribbon, de Michael Haneke - 7/11
As ante-estreias do Estoril Film Festival (2)


Os Sorrisos do Destino de Fernando Lopes - 7/11
As ante-estreias do Estoril Film Festival (1)


Fantastic Mr. Fox de Wes Anderson - 4/11
Estoril Film Festival
De 5 a 14 de Novembro vale a pena acompanhar um dos mais ilustres festivais de cinema portugueses. Destaque para homenagem a Juliette Binoche e David Cronenberg e a participação de Francis Ford Coppola que irá apresentar o seu mais recente filme Tetro. No primeiro dia, poderemos também assistir à ante-estreia de Fantastic Mr. Fox.
Para mais detalhes, aqui fica o programa.
O Pai do Padrinho em Portugal
Pela primeira vez, Francis Ford Coppola, realizador da trilogia The Godfather, estará em Portugal. O aclamado cineasta marcará presença no Estoril Film Festival, que decorrerá de 5 a 14 de Novembro. Coppola virá apresentar o seu mais recente filme, Tetro, em ante-estreia. Ficamos à espera!